O edital do ENAM VI foi publicado em 24 de agosto de 2026 com prova confirmada para 29 de novembro, e a distribuição de questões entre as oito disciplinas segue o padrão que a FGV mantém desde a primeira edição do exame. Compreender essa distribuição não é apenas curiosidade: é o primeiro passo para montar um plano de estudos que aloque tempo de forma proporcional ao peso real de cada matéria na prova.
O Exame Nacional da Magistratura é uma etapa eliminatória e não classificatória, regulamentada pela Resolução ENFAM nº 7/2023 e pela Resolução CNJ nº 539/2023, que habilita bacharéis em Direito a se inscreverem nos concursos de juiz substituto promovidos por tribunais estaduais, regionais federais, do trabalho e militares.
A nota de corte é de 70% de acertos (56 das 80 questões) para ampla concorrência e de 50% (40 questões) para candidatos autodeclarados negros, indígenas, quilombolas ou com deficiência. A prova tem duração de cinco horas e é composta por 80 questões objetivas de múltipla escolha, cada uma com cinco alternativas. A análise que se segue parte dos dados extraídos de seis provas já aplicadas pela FGV (ENAM I, ENAM I Reaplicação Manaus, ENAM II, ENAM III, ENAM IV e ENAM V) e revela padrões de cobrança que orientam com precisão a preparação para o ENAM VI.
Quantas questões cada disciplina representa no ENAM?
A distribuição das 80 questões é fixa desde a primeira edição do certame e não sofreu alteração em nenhuma das seis provas aplicadas até o momento. Direito Constitucional responde por 16 questões, o que equivale a 20% da prova e o torna a disciplina com maior peso individual no exame. Direito Processual Civil, Direito Civil e Direito Penal aparecem em seguida, cada um com 12 questões, somando 36 questões e representando 45% do total. Direito Administrativo contribui com 10 questões. As três disciplinas restantes (Noções Gerais de Direito e Formação Humanística, Direitos Humanos e Direito Empresarial) têm 6 questões cada, totalizando 18 questões.
| Disciplina | Questões | Peso na prova |
|---|---|---|
| Direito Constitucional | 16 | 20% |
| Direito Processual Civil | 12 | 15% |
| Direito Civil | 12 | 15% |
| Direito Penal | 12 | 15% |
| Direito Administrativo | 10 | 12,5% |
| Formação Humanística | 6 | 7,5% |
| Direitos Humanos | 6 | 7,5% |
| Direito Empresarial | 6 | 7,5% |
A leitura imediata desses números indica que quatro disciplinas (Constitucional, Processual Civil, Civil e Penal) concentram 52 questões, ou 65% da prova. Quando se acrescenta Direito Administrativo, o bloco chega a 62 questões (77,5%). Isso significa que qualquer candidato que domine bem essas cinco matérias já tem acesso a mais de três quartos dos pontos do exame.
As três disciplinas menores somam 18 questões (22,5%) e não podem ser ignoradas, porque em uma prova com nota de corte elevada cada acerto pode ser o que separa aprovação de reprovação.
Qual é o padrão de cobrança da FGV no ENAM?
A análise das seis provas anteriores revela que a FGV mantém um padrão estável de cobrança que privilegia, nesta ordem, legislação em primeiro lugar, jurisprudência em segundo e doutrina em terceiro. Esse escalonamento geral, contudo, varia significativamente entre as disciplinas e até entre os temas dentro de uma mesma disciplina.
Em Direito Processual Civil, a predominância da lei seca é quase absoluta desde a entrada em vigor do CPC/2015. A maioria das questões cobra literalidade de dispositivos do Código, com presença crescente de súmulas novas dos tribunais superiores e, pontualmente, conceitos doutrinários. A cobrança de jurisprudência nessa disciplina está concentrada em temas como cooperação judiciária, precedentes e tutela provisória.
Em Direito Administrativo, o mesmo padrão de legislação prevalece, com ênfase particular na Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021), na Lei de Improbidade Administrativa (reformada pela Lei nº 14.230/2021) e nas inovações da LINDB introduzidas pela Lei nº 13.655/2018. A jurisprudência aparece em temas como responsabilidade civil do Estado e poder de polícia.
Em Direito Constitucional, o cenário é mais complexo. Os temas iniciais do edital (Teoria da Constituição, princípios fundamentais, interpretação constitucional) são cobrados predominantemente por doutrina. À medida que o edital avança para organização do Estado, competências, Poder Judiciário e controle de constitucionalidade, a cobrança migra para legislação e jurisprudência. O tema de direitos e garantias fundamentais exige domínio simultâneo das três fontes.
Em Direito Penal, a legislação é a base da maioria das questões, mas a Parte Geral do Código Penal (teoria do crime, tipicidade, culpabilidade, erro de tipo e de proibição) demanda conhecimento doutrinário sólido, porque as alternativas frequentemente exploram distinções conceituais que o texto legal não resolve sozinho. Leis penais extravagantes como a Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019) e as Leis nº 7.716/1989 e nº 12.288/2010 também aparecem com regularidade.
Em Formação Humanística, o dado mais revelador da análise das seis provas é a presença constante de Resoluções do CNJ, que dividem espaço com doutrina e lei seca em proporções quase iguais. Resoluções sobre ética da magistratura, julgamento com perspectiva de gênero, Agenda 2030 e inovações tecnológicas no Judiciário foram objeto de cobrança em praticamente todas as edições. Essa disciplina surpreende candidatos que a subestimam e não estudam o corpo normativo do CNJ.
Em Direitos Humanos, a doutrina predomina sobre as demais fontes, especialmente em temas como teoria geral dos direitos humanos, sistema interamericano e controle de convencionalidade. A jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos aparece com frequência significativa, ao lado da jurisprudência do STF. Tratados internacionais (CADH, PIDCP, Convenção 169 da OIT) são cobrados por lei seca.
Em Direito Empresarial, a cobrança é concentrada em legislação e jurisprudência, com atenção particular à recuperação judicial e falência (Lei nº 11.101/2005), ao direito societário (Código Civil e Lei das S/A) e aos títulos de crédito. Temas extravagantes como LGPD, Sistema Financeiro Nacional e Lei de Liberdade Econômica aparecem de forma sazonal.
Em Direito Civil, o equilíbrio entre as três fontes é mais evidente. Responsabilidade civil, contratos e obrigações formam o núcleo mais cobrado, com questões que exigem tanto domínio do Código Civil quanto familiaridade com a jurisprudência do STJ. A doutrina aparece com força em temas como negócio jurídico e direitos da personalidade.
O que a transversalidade do Constitucional significa para a estratégia de estudo?
Um detalhe do edital que muitos candidatos ainda subestimam é a cláusula que permite à FGV incluir, dentro das 16 questões de Direito Constitucional, questões de Direito Constitucional do Trabalho, Direito Constitucional Tributário e normas constitucionais de processo penal. Isso amplia significativamente o escopo da disciplina e cria uma zona de intersecção com outras áreas do Direito.
Na prática, o candidato que prepara Direito Constitucional apenas com o programa clássico da graduação (teoria da constituição, direitos fundamentais, organização do Estado, controle de constitucionalidade) corre o risco de perder pontos em questões que exigem, por exemplo, conhecimento sobre imunidades tributárias do art. 150, VI, da Constituição Federal, competência da Justiça do Trabalho nos termos do art. 114 ou garantias constitucionais do processo penal previstas no art. 5º (presunção de inocência, vedação de provas ilícitas, prisão em flagrante). Essa transversalidade é uma marca registrada da FGV e apareceu em todas as seis provas analisadas.
Qual o impacto da distribuição fixa na alocação de horas de estudo?
A estabilidade da distribuição de questões entre as oito disciplinas é uma vantagem estratégica que poucos exames oferecem. Desde a primeira edição, a FGV não alterou a quantidade de questões por matéria, o que permite ao candidato planejar a alocação de horas com precisão.
Uma abordagem racional é destinar tempo proporcional ao peso de cada disciplina na prova, com ajustes para o grau de dificuldade pessoal e para a fonte predominante de cobrança. As cinco disciplinas maiores (Constitucional, Processual Civil, Civil, Penal e Administrativo) merecem a maior fatia do tempo disponível, porque juntas representam 77,5% do exame.
Dentro desse bloco, o candidato que sabe de onde vêm as questões ganha eficiência: reforça jurisprudência em Constitucional e Administrativo, prioriza leitura de lei seca em Processual Civil e Civil, e revisa doutrina de Parte Geral em Penal.
As três disciplinas menores (Humanística, Direitos Humanos e Empresarial) não devem ser relegadas ao improviso de véspera. Em uma prova cuja nota de corte exige 56 acertos em 80 questões, o candidato que erra todas as 18 questões desse bloco precisa acertar 56 das 62 restantes (90,3%), cenário estatisticamente improvável mesmo para candidatos muito bem preparados.
Um desempenho razoável de quatro a cinco acertos em cada disciplina menor já alivia substancialmente a pressão sobre as matérias principais.
O que muda quando se cruza incidência de temas e fontes de cobrança?
A combinação desses dois eixos (quais temas aparecem com mais frequência e qual a fonte predominante de cada tema) é o que diferencia um estudo genérico de um estudo direcionado para o ENAM.
Nos temas com alta incidência e cobrança predominantemente por lei seca (como processo civil, licitações e contratos administrativos, leis penais extravagantes), a estratégia mais eficiente é a leitura sistemática e repetida dos dispositivos legais, com foco em artigos que a FGV já explorou em provas anteriores.
Nos temas com alta incidência e cobrança por jurisprudência (como direitos fundamentais, controle de constitucionalidade, responsabilidade civil do Estado, poder de polícia), o estudo exige acompanhamento atualizado dos informativos do STF e do STJ, com atenção especial a decisões plenárias, repercussões gerais e temas repetitivos.
Nos temas com cobrança predominantemente por doutrina (como teoria da constituição, princípios fundamentais, teoria geral do crime, formação humanística), a preparação demanda leitura de obras de referência e domínio de conceitos que não se extraem diretamente da legislação.
O candidato que identifica em qual dessas três categorias cada tema do edital se encaixa consegue calibrar a ferramenta de estudo certa para cada conteúdo, em vez de aplicar uma única técnica (como a leitura de lei seca) indistintamente a todo o programa.
Quais cuidados os dados das provas anteriores exigem?
A análise das seis provas indica que a FGV não repete questões, mas frequentemente revisita os mesmos temas sob ângulos diferentes. Controle de constitucionalidade, por exemplo, apareceu em todas as edições do ENAM, mas cada prova explorou um aspecto distinto: efeitos da decisão em uma edição, modulação temporal em outra, legitimidade ativa em uma terceira. Isso significa que o candidato não deve estudar temas “já cobrados” como se fossem áreas esgotadas. Pelo contrário, a recorrência de um tema sinaliza que a FGV o considera relevante e continuará a explorá-lo.
Da mesma forma, a ausência de cobrança de determinado tema em seis provas não garante que ele permanecerá ausente na sétima. Temas como defesa do Estado e das instituições democráticas (Estado de Defesa e Estado de Sítio) têm baixa incidência até o momento, mas constam do edital e podem aparecer a qualquer momento. A prudência recomenda que o candidato cubra todo o programa, ainda que com intensidade diferenciada conforme o histórico de cobrança.
A distribuição de 80 questões entre oito disciplinas no ENAM é um dado objetivo que condiciona toda a estratégia de preparação. As quatro disciplinas mais pesadas concentram 65% da prova, e as cinco maiores alcançam 77,5%. A fonte de cobrança predominante varia por disciplina e por tema, o que exige do candidato capacidade de ajustar a ferramenta de estudo (lei seca, jurisprudência ou doutrina) conforme o conteúdo específico.
A transversalidade do Direito Constitucional, que pode incluir questões de tributário, trabalhista e processual penal, amplia o escopo da disciplina mais pesada do exame. E a estabilidade da distribuição ao longo de seis provas indica que o candidato pode planejar sua preparação com confiança nos dados históricos, sem receio de surpresas estruturais.
O Curso MEGE acompanha o ENAM desde a sua criação e acumula mais de 14.684 aprovações no exame em todas as edições já realizadas, além de mais de 8.700 aprovações homologadas em concursos de todas as carreiras jurídicas. Para quem busca preparação com análise estratégica de provas anteriores e material direcionado ao padrão FGV, vale conhecer as turmas específicas para o ENAM VI em mege.com.br.
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Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com passagem pela advocacia e editor-chefe do Blog do Curso MEGE desde 2022. Integra a equipe do MEGE há mais de oito anos, acompanhando de perto a evolução dos concursos das carreiras jurídicas e a jurisprudência dos tribunais superiores. No blog, coordena a produção de conteúdo sobre editais, jurisprudência e estratégias de estudo para concursos da Magistratura, Ministério Público, Defensoria Pública e demais carreiras.



