STJ: Take or pay não dá direito de receber produto após período contratual para utilização

STJ: Take or pay não dá direito de receber produto após período contratual para utilização

Olá megeanos(as)!

Olá megeanos(as)!

Primeiramente, em que consiste a cláusula take or pay? Trata-se cláusula contratual em que uma das partes assume a obrigação de pagar pela quantidade mínima de bens ou serviços disponibilizados no contrato, ainda que esses bens/serviços não sejam utilizados.

Apesar de não inserida no ordenamento jurídico brasileiro, essa prática está comumente presente em contratos de prestação continuada de fornecimento de produtos. Essa cláusula proporciona ao fornecedor segurança para investir e atender à demanda do adquirente, enquanto este se beneficia ao pagar um preço menor pelo produto. Se houver aquisição da quantidade mínima estipulada ou de quantidade superior a ela, o preço a ser pago corresponderá à demanda efetivamente consumida, não se aplicando a cláusula take or pay.

Caso concreto

Na origem do recurso analisado pela 3a turma do STJ, foi ajuizada ação de cobrança por uma empresa fornecedora de gás natural comprimido, em razão do descumprimento da obrigação de pagar convencionada em contrato de compra e venda do tipo take or pay.

A empresa consumidora do produto havia assumido a obrigação de pagar um valor mínimo relativo a certa quantidade de gás. Entretanto, ela deixou de consumir o produto e de pagar o montante devido, mesmo após tratativas para a quitação da dívida.

O juízo condenou a ré a pagar o valor devido, mais juros de mora e correção monetária, podendo compensar os valores já pagos. Além disso, o magistrado assegurou à ré o recebimento do produto correspondente ao valor pago, mesmo após o período em que ele deveria ter sido utilizado, sob pena de enriquecimento sem causa da autora da ação. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve a sentença.

ENTENDIMENTO DO STJ

A min. Nancy Andrighi afirmou que, mesmo não consumindo a quantidade mínima de produto disponibilizada pelo vendedor no período ajustado, o comprador terá de pagar o valor estipulado na cláusula.

A ministra ressaltou que, nesse modelo contratual, o comprador assume o risco da oscilação da demanda e, em contrapartida, será beneficiado com um preço menor. Com esse entendimento, foi dado provimento parcial ao recurso para afastar a obrigação imposta à fornecedora de entregar o volume de gás correspondente ao valor mínimo efetivamente pago.

Leia o acórdão no REsp 2.048.957.

 

Sugestões de leitura:

 

Fique por dentro através das nossas redes sociais:

Sugestão de leitura

Questões comentadas de Processo Civil para o ENAM: litisconsórcio
Dicas de estudo

Questões comentadas de Processo Civil para o ENAM: litisconsórcio

Litisconsórcio e intervenção de terceiros estão entre os assuntos de...

Direitos Fundamentais para concursos: hierarquia de tratados e STF
Dicas de estudo

Direitos Fundamentais para concursos: hierarquia de tratados e STF

A Teoria Geral dos Direitos Fundamentais ocupa posição central nas...

Informativos STJ 904 e STF 1232: julgados comentados para concursos
Novidades Legislativas

Informativos STJ 904 e STF 1232: julgados comentados para concursos

Os Informativos STJ nº 904 e STF nº 1232 trouxeram...

Questões comentadas de Direito Constitucional para o ENAM remédios constitucionais
Dicas de estudo

Questões comentadas de Direito Constitucional para o ENAM VI: remédios constitucionais

Remédios constitucionais, direitos sociais e nacionalidade aparecem com frequência nas...

Fique por dentro de todas as nossas novidades e tenha acesso antecipado as nossas turmas

CAFE COM ENAM VI