O poder de comemorar as pequenas vitórias

Autor Arnaldo Bruno

André Barbosa

Vibrar pelos avanços auxilia seu cérebro a simpatizar com a rotina de estudos
Vibrar pelos avanços auxilia seu cérebro a simpatizar com a rotina de estudos
Desde que comecei atender, em meu consultório, pessoas que estão estudando para concurso público, tenho notado que existe algo em comum entre eles: não comemoram vitórias, grandes ou pequenas. Pelo contrário, concentram-se nas derrotas, na falta de tempo, na ansiedade...

E como a falta desse hábito (comemorar vitórias) afeta a sua vida?

Para começar, preciso explicar como nosso cérebro funciona, de forma didática e resumida.

Basicamente, nosso cérebro está em busca de prazer, ao mesmo tempo em que tenta fugir do desprazer. Quando você o ensina que algo é bom, através de seu comportamento, ele libera descargas de neurotransmissores relacionados ao prazer: dopamina, serotinina e outro.

Quando esses neurotransmissores ficam mais tempo agindo no cérebro, você fica mais entusiasmado, empolgado, motivado e FOCADO!

​Ensine seu cérebro

A grande questão é como nosso cérebro aprende que determinada coisa é boa ou ruim? Algumas coisas (estímulos) nosso cérebro já nasce sabendo, por exemplo: comer é bom, levar um choque é ruim. Sexo é bom, quebrar uma perna é ruim. Vamos chamar essas “coisas” de estímulos incondicionados, pois independente da nossa vontade, nosso cérebro já categorizou o grupo de coisas boas (prazer) e ruins (medo e dor).

​Porém, existem outras coisas que o nosso cérebro pode aprender a gostar, como, por exemplo, malhar. Quem inicia crossfit ou academia feliz da vida? Eu não conheço nenhum caso desses. Porém, se a pessoa se mantiver disciplinada (repetição de comportamentos pré-determinados), indo treinar todos os dias, ela vai sentindo resultados físicos (ficando mais magra, ou mais forte.), fisiológicos (se sentindo com mais energia, mais fôlego.), e sociais (fazendo amizades na academia, saindo da rotina). E tudo isso gera prazer. O que acontece depois, é que a atividade física será associada por nosso cérebro a algo prazeroso. No final das contas, o que era uma tortura no começo, passa a virar um vício depois de alguns meses.

“Ok entendi, mas o que isso tem a ver com os estudos?”. Tudo a ver! Veja bem, quando você decide que irá prestar concurso público e não cria hábitos de associar os estudos e o seu novo estilo de vida a algo prazeroso para nosso cérebro, a coisa fica ainda mais complicada. Pior: quando associamos os estudos e o tempo investido nisso a derrotas, desgastes e abdicação, a coisa passa a ficar quase impossível. Daí iniciam-se as auto-sabotagens: perder aulas, não cumprir metas de estudo e etc.

O que fazer?

Para reverter esse quadro, é preciso comemorar as pequenas vitórias, como bater a meta de estudo do dia, da semana, do mês e etc. Como? Podemos nos presentear com algo que gostamos. Como por exemplo; “se eu conseguir bater minha meta de estudo do dia, irei assistir dois episódios do meu seriado favorito”; “se eu bater minha meta de estudo da semana, irei me presentear com uma ida para meu barzinho favorito, com os amigos, na sexta...”.

​Existem várias técnicas ensinadas em consultórios psicológicos (principalmente de abordagens cognitivos-comportamentais) que vão te ajudar a reduzir pensamentos negativos, aumentar sistemas cognitivos ligados ao prazer, regular ou controlar suas emoções e te ajudar a modificar comportamentos, de maneira a aumentar seu foco e tornar sua vida mais prazerosa, não uma tortura diária.

Percebam que, fazendo isso, você vai associar seus estudos e suas metas a coisas boas. Estará treinando seu cérebro a se focar em evolução, e não em derrotas. Dessa forma, ficará mais estimulado e mais focado.

Lembre-se, portanto, que é necessário reconhecer seus progressos e suas vitórias. Seu cérebro precisa saber o quanto é bom alcançar as metas que você estipula e, também, que este é o caminho para a sua aprovação. Mantenha-se focado no seu objetivo e não desanime. O sucesso depende de você, de como se comporta a cada nova dificuldade e conquista.

Obrigado por ter acompanhado até aqui. Logo estarei de volta com novos textos, que tratam sobre os aspectos psicológicos da aprovação para os concursos, sob diversas perspectivas.

Bons estudos!

André Barbosa.
Psicólogo Clínico, CRP 11/11089. Terapeuta Cognitivo-Comportamental.
Contato: (085) 988139593

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